Profissões de Informática: Regulamentar ou não ?
Postado por Danilo Augusto na categoria Profissão Informática no dia 26-01-2010
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Há muito tempo ouço falar sobre a regulamentação das profissões que envolvem a informática, mas muito pouco tenho ouvido sobre o andamento de projetos de lei que tenham dado algum passo na caminhada rumo à regulamentação.
Apesar de à primeira vista parecer uma boa saida para retirar profissionais picaretas do mercado e facilitar a conquista de direitos trabalhistas, a regulamentação não é vista com bons olhos por todos. Alguns afirmam que os conselhos regionais, como o CREA, só servem para usurpar, através das contribuições anuais, o cidadão que já se afoga em impostos. Outros temem entrar na ilegalidade por não possuir diploma técnico ou superior.Forma-se o bate-boca. Regulamentar ou não ?
Agradeço ao José por ter dado um puxão de orelha em mim no que diz respeito à redação deste artigo
Antes de mais nada precisamos diferenciar o termo regulamentada de reconhecida. Uma profissão pode ser reconhecida, mas não regulamentada, como é o nosso caso. Uma profissão reconhecida é aquela que consta no Classificação Brasileira de Ocupações do Governo Federal e portanto, passa a existir de fato. Já a regulamentação da profissão consiste na implementação de órgãos e organismos que terão como função primordial a fiscalização da atuação dos profissionais ligados ao conselho e disciplinar o exercício da profissão através da lei.
Depois de entender esses dois conceitos, vamos responder algumas perguntas postas num artigo do Luis, Forum PCs:
O mercado está pedindo por isso? Estão ocorrendo abusos por parte dos profissionais? Os consumidores se ressentem por não haver um órgão ao qual reclamar sobre serviços prestados de TI?
O mercado está pedindo isso ?
Quem trabalha com TI sabe muito bem quais são as exigências do mercado: certificações, experiência, curso superior e vários outros quesitos que fazem a diferença no currículo de qualquer profissional. Será que uma carteirinha do CREI (Conselho Regional de Informática, que ainda não existe) pesaria tanto num currículo quanto uma certificação LPI 3, SAP ou uma CCNP ? Talvez uma carteirinha do conselho servisse mais como critério de desempate do que como quesito de avaliação. Em suma, a carteirinha do conselho só atesta que você concluiu seu curso, mas não dá garantias de que você é, digamos, desenrolado. Portanto, o mercado ainda não pede a regulamentação, ele vive sem ela.
Estão ocorrendo abusos por parte dos profissionais?
Todos nós, profissionais de TI, vemos no dia-a-dia pessoas sendo enganadas, projetos sendo mal feitos e software mal desenvolvidos. Muitos profissionais – técnicos em manutenção, administradores de rede, analistas de sistemas – não fazem jus aos diplomas que conquistaram nem às instituições que estudaram e não prestam um serviço de qualidade.
Imagine um programador: Ele criou o banco de dados da empresa em Access (a merda começa por aí) e fez o software da empresa. Anos depois ele foi demitido e um novo desenvolvedor foi contratado. Ao abrir o código a surpresa: Nenhum comentário. O que fazer ? Ir atrás do antigo programador ? Processá-lo ??? Por trás de atitudes inocentes como esta, acredite, pode haver a intenção de prejudicar o desenvolvimento do software por outro programador, afim de que a empresa fique nas mãos do desenvolvedor pilantra.
Outra situação comum é o caso onde administradores de redes na iminência da sua demissão, mudam as senhas e deixam tudo de cabeça para baixo como forma de se vingar do empregador.
São ações e situações como essas que a cada dia pedem a regulamentação dos profissonais da informática, pois a partir do momento em que um profissional tem sua licença cassada, ele não poderá mais vir a exercer sua profissão. Caso a exerça mesmo sem a licença, o profissional estará praticando o crime de exercício ilegal da profissão, previsto no Código Penal.
Os consumidores se ressentem por não haver um órgão ao qual reclamar sobre serviços prestados de TI?
Quando algum técnico em manutenção lhe engana, a quem você deve reclamar ? No máximo, se ele for terceirizado (prestar serviço para uma empresa que trabalha pra você), você pode entrar no PROCON. Mas e depois do PROCON ? Depois do PROCON amigo, ele vai contiunar exercendo sua profissão normalmente.
Hoje não existe nenhum órgão fiscalizador de administradores de banco de dados ou técnicos em manutenção. Com a criação do conselho os clientes teriam a quem reclamar, podendo dar início até a um processo de cassassão da licença do profissional. E com a cassassão da licença o profissional que exercesse a profissão estaria praticando um crime, bastava apenas uma denúncia.
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Para muitas pessoas a regulamentação das profissões de informática não é necessária. O argumento que essas pessoas usam é de que o próprio mercado trata de retirar os maus profissionais de circulação, mas não é tão simples assim. A picaretagem anda solta e muitas pessoas que sequer tem um curso no SENAC estão prestando serviço por aí, pondo em risco a vida deles e das pessoas ao seu redor.
Imagine um psseudo-técnico em manutenção que não sabe fazer a medição de corrente numa tomada e acaba causando um curto-circuito numa loja, que pode desencadear um choque ou até mesmo um incêncidio. O que dizer sobre a formação acadêmica de um indivíduo desse? Será que se ele fosse formado ele teria cometido esse erro ? Com essa pergunta entramos em outro nicho: os autodidatas.
Não é surpresa para ninguém que está lendo isso (ou quase ninguém), que a maioria dos programadores e técnicos em manutenção desenvolveram suas habilidades em casa, lendo tutoriais e tirando suas dúvidas em fóruns. Apesar de terem todo o mérito por alcançarem um estágio em que podem trabalhar e prestar seu serviço, essas pessoas são carentes de conhecimentos e procedimentos que garantem a qualidade do seu trabalho. O programador/DBA precisa saber que por trás de um banco de dados há todo um planejamento. Um técnico em manutenção precisa saber que não pode pegar de qualquer jeito nas memórias do computador, pois pode queimá-las com energia estática acumulada no corpo.
Mesmo assim, para cobrir a parcela dos auto-didatas, o projeto de lei do senador Expedito Júnior (PSDB-RO) que trata da regulamentação da nossa profissão, afirma em seu artigo terceiro que:
Art. 3° Poderão exercer a profissão de Técnico de Informática:
I ¿ os portadores de diploma de ensino médio ou equivalente, de Curso Técnico de Informática ou de Programação de Computadores, expedido por escolas oficiais ou reconhecidas;
II ¿ os que, na data de entrada em vigor desta Lei, tenham exercido, comprovadamente, durante o período de, no mínimo quatro anos, a função de Técnico de Informática e que requeiram o respectivo registro aos Conselhos Regionais de Informática.
Particularmente acho 4 anos um tempo muito longo. Acredito que em 2 anos se aprenda bem a programar em uma determinada linguagem, não é? Pra que 4 anos ?
A pergunta que não quer calar é: Sou programador mas nunca frequentei uma universidade ou curso técnico. Com a regulamentação não poderei programar profissionalmente ? A resposta é NÃO. É a resposta dessa pergunta que deixa muitas pessoas apreensivas sobre seu futuro enquanto profissionais de TI, visto que, todo seu conhecimento adquirido durante madrugadas à fora, não valeriam nada sem uma licença do conselho.
Apesar de ser uma realidade distante, a regulamentação das profissões de informática tramita pelo Congresso Nacional e fica à espera de uma definição. Enquanto isso, podemos sugerir mudanças no projeto original através de organismos como o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo, que foi quem enviou o projeto para o Congresso.
Para terminar esse post quero deixar clara a minha opinião. Se a regulamentação da profissão for para garantir benefícios para os profissionais, analisar queixas e denúncias de empresas, profissionais e usuários e ter um conselho verdadeiramente atuante, eu concordo. Mas se for pra ser mais um impedimento burocrático para o exercício da profissão de pessoas que, apesar de não terem sentado na cadeira de uma universidade, detêm o conhecimento do que fazem, eu discordo.
Se você quer ter uma carteirinha, procure o CREA do seu estado.
Em suma, essa questão da regulamentação engloba muito mais argumentos do que eu pus aqui e a discussão não é pequena.
Espero que eu tenha conseguido passar um pouco pra vocês essa questão da regulamentação.
Deixe sua opinião sobre o tema e participe desta discussão conosco.
Abraços.
Leia também:
Dilma Rousseff defende regulamentação de profissões de TI;
A importância do CREA para os técnicos em manutenção
Afinal, Para que Conselho Regional?;







Regulamentação, eu quero
Tenho curso superior na área de T.I. e sou contra a regulamentação, isso com toda certeza não ajudaráem nada, será mais uma coisa que deveremos pagar, que sugará nossas contas bancariás e visará apenas o beneficio próprio (de quem estiver dentro do órgão).
O conhecimento deve ser livre, assim como o livre exercício da profissão, azar daquele que sabe que o preço de mercado é x e contrata um profissional por x/2, qualquer sabe que não vai terminar bem.
Tema polêmico …
E é pra ser assim, conheço muitas pessoas formadas que não sabem um terço do que muitos auto-didatas.
Ou vocês querem que Jesus Cristo mande um cheque (é bom que seja nominal e cruzado …) ?
A minha opinião é o seguinte : Deve haver um conselho regulamentador, para fazer parte deste bastaria provar que tem o conhecimento específico da área que vc quer se “incluir”, como a Red Hat faz ou a Cisco, quem quer tirar a CCIE da Cisco, basta querer fazer a prova, o único pré-requisito é você ter pago
Por isso sou contra essa história de só permitir fazer parte do conselho regional quem tem canudo, o que vai diferenciar um de outro é o nível de conhecimento, o conselho regulamentador serviria apenas para auxiliar os clientes insatisfeitos, nesse conselho o cliente poderia tirar tipo um “nada consta” do técnico que ela irá contratar, assim ela faria um levantamento da ficha dele, ficando assim mais segura para contratar o cara e o cara também ganharia já que ele teria provas de que é um bom profissional. E em relação a pagar por isso, alguém tem que pagar a conta
Eu sou a Favor, fazendo uma analogia a profissão de advogado por exemplo, o cara so pode defender alguem se ele tiver diploma, for regulamentado pela OAB, isso garante a capacidade dele no exercício de sua profissão, ninguém vai querer contratar um advogado que não é regulamentado(mesmo se pudesse), se o cara é um advogado ruim, aí é outra história.
Do mesmo modo é a nossa profissão. Tá certo que existe os Auto-Ditadas, na verdade todos somos auto-ditadas, mas aqueles que não tem diploma, não podem garantir que é um profissional da informática.
Quando vocês vêem no notíciário “Médico irregular atendia pacientes em casa”, isso num gera uma revolta? pelo menos pra mim gera. Da mesma forma é a nossa profissão, só que os pacientes são os computadores =D rsrs.
Hoje em dia não se trabalha mais sem diplomas…
[...] This post was mentioned on Twitter by Ricardo Ferreira and I/O Tecnologia, Alex Ferreira. Alex Ferreira said: Profissões de Informática: Regulamentar ou não ? http://bit.ly/7SY9ZK [...]
Primeiramente gostaria de parabenizar pelo post! Muito bem feito e bem trabalhado.
A minha opinião é mais ou menos o que já foi dito tanto no post quanto nos comentários. Eu sou totalmente a favor da regulamentação da profissão e da criação de um conselho se isso for ajudar os consumidores a escolher os melhores profissionais, e também às empresas a contratarem os melhores profissionais para as suas empresas… A idéia do “Nada-Consta” é ótima… daria uma segurança muuuito maior na hora da contratação do serviço
com relação aos auto-didatas… Faço minhas as palavras do Nícholas
Caro autor, desculpe incomodar, mas seus erros gramaticais me deixam louco para fazer este comentário.
Não se escreve auto-didata, e sim autodidata.
Não se coloca a pontuação separada da última palavra.
Você cita o 3º artigo do projeto de lei, porém no corpo do texto é indicado o segundo.
Você se contradiz em um momento do post ao citar o exemplo de um programador que faz um “programa” usando o Access, e que quando o outro programador chegar ele não vai ter acesso ao código fonte.
Código fonte? Código fonte? Você sabe o que é código fonte?
Você cita: “Talvez uma carteirinha do conselho servisse mais como critério de desempate do que como quesito de avaliação.” Mas se contradiz quando fala que o cadastro teria que ser obrigatório, caso o profissional não tivesse uma ele estaria cometendo um erro perante o código penal…
Peço que dê uma revisada no seu post.
No mais, este é um bom assunto para se abrir boas discussões. Tirando os erros que citei o post tem uma boa estrutura.
E se serve como feedback, o layout antigo é mais prático do que o atual (opinião pessoal)
“Não se escreve auto-didata, e sim autodidata.”: Desculpe, realmente eu errei.
“Não se coloca a pontuação separada da última palavra.”: Vício meu. Vou corrijir isso.
“Você cita o 3º artigo do projeto de lei, porém no corpo do texto é indicado o segundo.”: Realmente errei, mas o artigo é o terceiro. Corriji lá.
“Você se contradiz em um momento do post ao citar o exemplo de um programador que faz um “programa” usando o Access, e que quando o outro programador chegar ele não vai ter acesso ao código fonte.
Código fonte? Código fonte? Você sabe o que é código fonte?”: Me equivoquei. Na verdade o banco de dados é que foi criado sobre o Access. A linguagem ou o SGBD nesse caso são totalmente dispensáveis.
“Você cita: “Talvez uma carteirinha do conselho servisse mais como critério de desempate do que como quesito de avaliação.” Mas se contradiz quando fala que o cadastro teria que ser obrigatório, caso o profissional não tivesse uma ele estaria cometendo um erro perante o código penal…”: Hum… Eu não tinha pensado desta maneira que você me disse. Vou refazer os argumentos.
José, agradeço a você pela crítica e pelo modo como a fez. São poucas as pessoas que sabem criticar alguém como você. Obrigado mesmo e fique à vontade para sugerir algo no nosso blog.
(O que você achou menos prático neste layout?)
Abraços.
Yeah!
Mto legal!
A despeito de outras profissões já regulamentadas, o que podemos observar é que a qualidade dos profissionais aumenta, já que é necessário realmente uma formação sólida.
É incabível um profissional de área não afim realizar trabalhos mais técnicos de outra área, pois haveriam lacunas decorrentes da falta de conhecimento específico.
Para os de formação superior, onde a docência e a pesquisa são mais evidentes, a situação se torna mais complexa, pois o fator científico se limitaria a responder questões técnicas.
Na informática, não diferente, é necessária uma regulamentação efetiva que anteveja todas as diversas áreas de formação (superior, técnico e profissionalizante). Assim, todos os profissionais terão um “norte” de atuação, impedindo o amadorismo e aumentando o valor agregado ao profissional.
Importante sempre lembrar, para os que criticam os Conselhos (geralmente por confusão de papéis), que estes NÃO SÃO sindicatos… ou seja, não existem para lutar por salários, carga horária, condições de trabalho, etc.
Os Conselhos são órgãos reguladores/regulamentadores, cujo papel mais importante é o de nortear condutas profissionais, fiscalizar e autorizar apenas pessoas capacitadas ao seu exercício e delimitar a atuação de cada tipo de profissional.
Portanto, minha posição é a favor da regulamentação das profissões de informática, para que estas se fortaleçam e para que possamos ter uma (muito) maior qualidade nos serviços prestados.
Ficam as perguntas: alguém por aí já pensou em fazer uma cirurgia cardíaca com um administrador? Apesar do extremo, alguém acredita que um dentista faria a administração de banco de dados de um banco tão bem quanto um DBA?
Tenho ensino superior e atuo a 20 anos na area.
Mas vejo que isso só vai servir para dar emprego para um monte de gente com “canudo” etc… e ai nesses anos de TI perdi a conta de quanta moçada altamente capacitada que não possuiam formação superior e batiam de 10 x 0 em marmanjo com pos-graduação etc.. vai ser uma pena restringir essa galera excelente ai no mercado e não falo só tecnicamente como pessoal com conhecimento de negócio, metodologia e etc..
Resumindo vai ser para arrecadar din din…rs
Olá
A idéia é boa, mas como sempre o oculto é ignorado
Não existe uma regulamentação da profissão devido ao govêrno, pois ele tem medo do profissional desta área por lidar com comunicação.
Querem um exemplo ?
O que acontece se alguém a nivel estadual tipo a procergs no RS, fizer greve ?
Ninguém recebe, não sai os contracheques, não saem as multas e por ai vai
Logo, este profissional teria de ser bem pago, devido a sua responsabilidade assim como todos da área. Ou seja teriam de aumentar salarios e vocês sabem como nosso govêrno adora esse tipo de coisa.
Pergunta, o govêrno irá valorizar o profissional ?
Um exemplo aleatório para melhor compreensão:
Na petrobras em um laborat´rio com 4 tecnicos em química teria de ter um químico responsável, a cada 4 químicos um chefe de setor e no geral um químico mestre e um segundo que caso o outro não esteja presente lhe substituirá.
No laboratório que visitei tinha 72 técnicos em química e 2 engenheiros químicos e nenhum químico quando deviam existir uns 20 no minimo.
O porque disso ?
Tecnico ganha 1 ou 2 salários, químico tem por lei de ganhar 11 salários
O que ocorre economia.
E é isso que ocorre hoje onde você coloca um qualquer teria de colocar um profissional ganhando muito e isso implica em despesa para o governo
Logo não interesse em colocar um minimo e elaborar diretrizes
Em segundo lugar como dizer quem é bom ou quem é ruim ? A profissão que mais teria variantes seria a nossa, técnico de micro, operador, programador,etc.
Isso teria de ser discutido de forma diferente a nivel nacional
Enfim é só um começo e diga-se de passagem muito ruim.
Glademir
Técico de Informática
Nível 1A – Nª 617/1
Para começar vocês sabem o que significa a minha graduação ? O que ela equivale em rio ou são paulo, existem outras ?
A prosa é longa e estamos em ano eleitoral se seguir assim, muita besteira vai rolar.
Esta é minha humilde opinião.
Opa eu quero, assim vai sumir uma porrada de picareta e fica os que realmente são desenrolados.